27.12.11

Era a história de um mero bar numa rua citadina.
Uma mulher velha de cabelos brancos e pele seca que tocava piano, uma adolescente morena perdida pelas ruelas da cidade que nem sabia como tinha ido ali parar, um velho afro saxofonista  que se recusava a tocar, um barman arrogante, e uma loira a tomar o seu café com açúcar. 
Todos os dias as suas presenças eram constantes, as suas atitudes não se alteravam. A velha tocava sempre o mesmo Lullaby como se não soubesse mais nenhuma música. A adolescente fumava como se tudo o que a rodeava lhe fosse alheio. O velho debatia-se todos os dias com o seu saxofone dourando ao mesmo tempo que pensava no mítico Charlir Parker. O barman apreciava todas as mulheres que passavam no exterior e que via pela janela, sem nunca desviando o olhar da mística loira. Essa que nada tinha a ver com as vidas daqueles pobres desgraçados mas que por ali passava para, de certa forma, se encontrar. 
As horas arrastavam-se a um ritmo lento, a contagem dos dias perdera-se na monotonia daquelas vidas constantes - parecia que tinham sido programados para aquelas actividades, como se nos seus cérebros de pessoas insignificantes e desprezíveis para a sociedade apenas existisse uma aprendizagem: aquela.
Numa tarde de chuva, a velha tocou uma nota errada, a gaiata reparou que já não tinha tabaco, o saxofonista decidiu-se a tocar um par de notas, o barman fechou a janela, e a loira, deixou de adoçar o café. 
Foi como se a realidade daqueles corpos se alterasse, ficaram estáticos. A velha morreu de um ataque cardíaco no preciso momento em que as suas mãos secas tentaram recomeçar a música, a gaiata desmaiou de pranto, o afro abandonou o café deixando o seu saxofone para trás, o barman declarou o seu amor à mística loira, esta, nesse momento, abandonou o café deixando para trás o pobre barman que passou o resto dos seus dias angustiado, fechou todas as janelas e acabou por morrer, num bar vazio.


3 comentários:

mariana. disse...

Eu choro mais com esses!

mariana. disse...

É um bocado absurdo mas eu tenho esse filme guardado mas não o vejo porque tenho medo que o cão morra --'

mariana. disse...

Já não vou ver esse filme!