Aquela rua situava-se nas periferias da cidade, àquelas horas ninguém passava por lá, e decerto que era isso que eles queriam.
Era uma noite de Janeiro, um neblina cobria o céu e nem sinal das estrelas. Estavam à porta de um café, ambos encostados à parede com um cigarro nas mãos. Há um bom par de horas que ali estavam: as mãos dela estavam gélidas - nunca gostara do frio - apenas ali estava porque, mesmo que muitos a achassem perdida, era de ideias fixas e sabia o que queria.
No meio do fumo e bafo que saía das suas bocas, finalmente foram soltas as derradeiras palavras, disse-lhe tudo, àquele que estava ao seu lado naquela noite, no final deixou sair um "mas eu amo-te" e foi-se embora, os seus olhos sangravam. Sentia raiva de si mesma, sabia que todas as suas imagens se tinham desvanecido naquela noite, mas também sabia que havia coisas que não podiam ficar por dizer.
Chegou a casa, adormeceu e desejou vivamente nunca mais acordar.
Diana Rebelo Miranda
1 comentário:
Achei lindo flor,gostei muito mesmo do texto,bjs!
Enviar um comentário