Tinha a mesa cheia de livros, cadernos, canetas espalhadas por todo o lado, papeis com notas, apontamentos e um monte de lápis de cor. Sentia-se a sufocar.
Mais ninguém lá estava, ninguém para testemunhar a sua presença ou para dizer que ela existia. Era apenas ela e os livros. Fechou as cortinas para não ver o sol a entrar pela janela, foi buscar uma manta.
Na rua via-se o sol, mas naquela tarde de domingo, sozinha, ela sentia o frio a apoderar-se do seu corpo, sentia as mãos gélidas a pegar na caneta e a desenhar as letras, sentia a pele arrepiada e tremia de vez em quando. Mas não se importava; sabia que, naquele momento, aquela, era uma das poucas, se não mesmo a única, maneira de saber que estava viva; e se pelo contrário deixasse que o sol a toca-se, não havia maneira de o sentir.
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