20.6.12

Vamos, vamos apanhar a onda, vamos sonhar com pikachus azuis e com vulpix cor-de-rosas. Odeio-te. Odeio a forma como me tratas, como de um momento para o outro deixar cair completamente o brilho da tua personalidade. És irritante. Irrita-me o facto de, por mais que tente, nunca conseguir deixar de me preocupar contigo. 
Mas depois claro, és animal o suficiente para me relembrares da tua existência quando era ténue a tua memória. Dói, sabes? Dói mesmo. "O quê?" podes perguntar. Tudo. 
Não te iludas, impõem-te, dizem-me eles. Sabes, eles, cujas vozes da razão se tentam sobrepor às do coração, mas às quais nem sempre é fácil das ouvidos. 
E aquelas trivialidades que te fazem deixar de brilhar? Talvez um dia seja capaz de as perceber, talvez um dia. Mesmo o mais feroz leão, um dia, no meio da savana, se deita, cansado, não porque desista, apenas porque vários factores o impedem de continuar. Mas continuar o quê: um ciclo vicioso, ou uma recta infindável?
É engraçado, os pikachus azuis lançam raios amarelos pálidos, e as vulpix cor-de-rosa já não são tão quentes como antes. O leão permanece deitado, na esperança de que a savana lhe imponha as regras que deve seguir. Eu, bem, eu coração, olho para ti, mesmo quando perdes a luz, e vejo-te como a estrela mais brilhante.

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