9.7.12

Fazes-me bem, e ao mesmo tempo tão mal.
É bom saber que estás bem, muito bem, mas... bem sem mim. 
Custa-me dormir, comer, custa-me fazer praticamente tudo. Lembras-te, lembras-te quando contaste à M que gostavas dela e disseste que tinhas um aperto no peito, que te doía o coração, e que essa dor e esse nó aumentavam e apertavam mais a cada batida, a cada pulsação ? Foi assim que me senti quando te contei, foi isso que escondi atrás do "sim, até me sinto mais leve". Pudesse eu adivinhar o futuro, pudesse eu saber que ia ser assim, e juro que não tinha aberto a boca para pronunciar qualquer tipo de palavras relacionadas com aquele assunto devastador.
Nas últimas semanas, sinto como se não tivesse coração. E de que me vale ter um se não está preenchido ? Entre não ter coração e tê-lo devastado, acho que prefiro a primeira, dói menos.
Sabes, não és a única pessoa a dizer-me para descer para a realidade, e eu dou sempre a mesma resposta tigre, sempre, digo sempre que a realidade é feia. Bem, a realidade não é feia, quer dizer, a minha não era até há umas semanas, agora também não, só é escura, triste, e dolorosa, cansativa, sem sabor, falta-me algo. Sabes bem o que é.
Não vale a pena pedir-te para ficares, afinal, eu não mando, não é. E tu, bem tu não é esta princesa que queres. Deves querer uma princesa a sério, com baton, saltos altos, bonita, alta, com um vestido justo, que passa a vida na rua, a rir, a espalhar brilho e charme e não uma princesa de faz de conta, que troca noites por livros, que troca festas por música, que prefere camisas largas a vestidos vermelhos justos. eu percebo. Afinal eu não escondo as minhas imperfeições com base e maquilhagem, deve ser por isso, nem sei usar o photoshop.
Custa-me. Mas vou tentar ser Britânica por uns dias, vou excluir isso da minha vida, ser fria e dura, exigente comigo mesma, deixar de pensar em ti (oh, eu a tentar o impossível, outra vez), admitir que és feliz, muito feliz, sem mim.
Fica bem, Leão, por uns dias vou deixar-te, agora, pertences ao mundo.

3 comentários:

Anónimo disse...

Se ele era a única pessoa, a única coisa que preenchia o teu coração, perdeste a alma. Perdeste os sonhos, perdeste o mundo do faz-de-conta e a imaginação.Perdeste também o resto dos indivíduos que constituíam o teu coração? Aqueles que faziam parte da tua vida? Cabe-te a ti decidir. Cabe-te a ti saber e fazer saber se eles continuam ou não a dançar no teu palco de afeto.
Se vais deixar que a tristeza te consuma e comande a tua vida, ela apenas aumentará e em breve não terás controlo nenhum sobre ti. Ninguém poderá ajudar-te a levantar se também tu não tiveres vontade. Miúda, dá o primeiro passo. E depois, deixa que te levantem.
Sabes quem eu sou. E sabes que te direi sempre a verdade. Mas a questão é: quererás tu ouvi-la?
Quando estiveres pronta para ouvir e refletir, sabes onde me encontrar.

E lembra-te: atrás de uma máscara de frieza e dureza, vem uma alma sofrida e experiente.

Diana Rebelo Miranda disse...

MUITO MUITO MUITO obrigada.
Mas sim, sabes que é difícil e de qualquer das formas quando o palco dos afecto não está completo é como uma peça de teatro sem um dos protagonistas, mais pessoas podem saber o guião e encontrar-se em condições de o substituir para o espectáculo continuar, mas nunca será a mesma coisa.

Anónimo disse...

Nunca ouviste dizer que quem dá relevo aos protagonistas são as personagens secundárias? Se o protagonista estiver sozinho é muito difícil continuar com a peça; no entanto, se faltar apenas o protagonista, a peça continua de pé.