Meu querido,
Há já muito que não te escrevia. Tenho saudades das tuas palavras e do efeito que elas provocavam em mim. Era de facto encantadora e entusiasmante a forma como as proclamavas.
Hoje lembrei-me de como me dizias que eu tinha de crescer, de deixar de fugir dos problemas, acho que foi por isso que decidi escrever-te ou então foi porque hoje me disseram "faz o que manda o coração".
Há uns dias andei a vasculhar nas coisas antigas e encontrei algo que me tinhas dito, que não valia a pena preocupar-me porque nem sempre as pessoas valiam o que queríamos que elas valessem. Encontrei um papel de pastilhas de menta enrolado, as tuas preferias...
Ontem a minha mãe disse-me que eu tinha de mudar, que era muito refilona, que as pessoas nunca iam aprender a lidar comigo, mas tu meu querido, tu aprendeste, e fazia-lo como mais ninguém .
Neste momento percebo o vento, és tão igual a ele. Provavelmente vais estar a perguntar-te porquê, é porque não o vejo, mas sinto-o.
Sinto a falta do teu leve toque, das tuas mãos frias, da tua pele suave, do teu cheiro doce e reconfortante, de sentir o teu coração junto ao meu a meio de um longo abraço. Sinto falta dos teus respeitosos beijos na testa cada vez que me vias e que te despedias de mim.
Volta meu querido, volta para as nossas noites à lareira, com a caixa de bombons italianos sobre a manta nas nossas pernas. Volta para as manhãs de chuva aconchegados na cama a ouvi-la cantar, como se fosse a mais bela melodia.
Vou esperar por ti, meu querido, vou esperar toda a minha vida se necessário. Ensinaste-me que há pessoas que não valem a pena, mas que há coisas pelas quais todos os esforços são recompensados.
Vem, enquanto eu te amo.
Até breve.
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