8.4.12

Sinceridade, sinceridade acima de tudo. Sempre gostei de pessoas directas. Sim, sempre gostaste de pessoas directas apesar de nunca o seres - o que de certa forma é algo irónico - também falas de sinceridade o que eu considero um eufemismo, já reparaste que só as nossas conversas baseadas em fantasia é que te prenderam a mim? Apenas essas, essas e aquelas sobre a tal moça que te faz suspirar, perder o sono, vaguear pela incerteza e pela desilusão, o que também é bastante cómico. Vou preocupar-me sempre, sim, também te disse e digo isso imensas vezes (incluindo aquelas em que me falavas da tua musa, do quão incerta ela era, do quão apaixonado estás, da forma como já lhe contaste o que sentes e ela nunca te deu certezas de nada, de como te dói o coração e de como o amor é injusto - e eu sei como ele é), e tu, leão, continuas a vê-lo, isso que te digo, como um acto amigável, de irmandade, sem te aperceberes de que, por fim, caí nas tuas teias, e sem dares por isso, estou presa a ti, com a mesma fantasia e com a mesma facilidade que te prendes às conversas do fantástico. No mínimo estranho, não? Tu apaixonas-te pela fantasia, pelo exótico, por aquilo com o qual podes acabar sem magoar, sem sofrer e eu pelo real, pelo vivo por aquilo que magoa, que faz doer, que nos envolverá aos dois, eternamente.

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